I Conversatório sobre Tecnoestética e Sensorium Contemporâneo: arte / literatura / design / tecnologias
VII Colóquio Internacional de Filosofia da Técnica: Tecnologia, Política e Cultura
No início do século XXI, já fazia vários anos que a presença da internet nos lares latino-americanos se incrementava com perspectivas cada vez mais promissoras de acesso, enquanto começavam a aparecer práticas artísticas nesse meio – ou em diálogo com ele –, inaugurando um catálogo de particularidades nas obras que correspondem ao novo entorno técnico e o transcendem. É assim que, pouco a pouco, os avanços tecnológicos das últimas décadas fizeram sua aparição na feitura de obras literárias ou de arte, tanto quanto no âmbito da vida cotidiana e laboral, operando uma paulatina mas veloz modificação dos nossos modos de nos vincularmos, por exemplo, a uma temporalidade e a determinados objetos culturais, e incidindo nas nossas maneiras de perceber, recordar e projetar.
O interesse deste evento é refletir sobre as condições de produção a partir das quais se cria uma obra (seja de literatura, arte ou crítica), levando em conta que as manifestações que se estudam, se apreciam e, sobretudo, se criam para entornos digitais ou virtuais costumam participar de um modo de fazer industrial, dado que essas obras se constituem em primeira instância como objetos técnicos industriais mais do que como produtos de um fazer singular (artesanal, manual). Isso implica que uma grande proporção dessas manifestações responde a convenções ou regras de produção que regem na configuração de objetos técnicos e no uso cotidiano dos mesmos. Daqui podem ser feitas três constatações: em diversas ocasiões, esses objetos interagem no campo do design industrial, gráfico ou publicitário, entre outros possíveis; sua inclusão no âmbito da experiência artística não é automática (embora nessa direção operem em geral os discursos secundários que acompanham as obras – catálogos, manifestos, manuais de uso, crítica publicitária, entre outros); e, por último, mas não menos importante, tanto objetos quanto dispositivos industriais fundam um tipo particular de percepção que participa ativamente nos processos de individuação / subjetivação.
Essa afirmação é central na hora de abordar as relações entre sujeitos e objetos e o grau de emancipação ou sujeição que o vínculo alcança em relação aos poderes capitalistas e industriais atuais, uma vez que o século XXI, cujo início poderíamos datar em 1993 (com a abertura da web ao público), deixa muito claro que a indústria não só cria produtos e serviços para serem consumidos, mas também subjetividades e disponibilidades adaptadas às necessidades da própria indústria e que, portanto, ela mesma é também, de certo modo, o resultado de uma poética (e também de uma ética) que por sua vez projeta uma série de imaginários tecnológicos específicos.
Como aconteceu com cada nova tecnologia de escrita (ou de exteriorização de memória) ao longo da história da humanidade, as novas linguagens que as "novas tecnologias" disponibilizam irrompem no ecossistema preexistente e emerge daí uma série de questões a serem repensadas, assim sucede, por exemplo, com o papel da crítica cultural na atualidade. Este evento pretende instalar e ampliar a reflexão acerca da especificidade dessas poéticas e dos imaginários que germinam nelas, estabelecendo, de maneira performativa, os territórios de suas experimentações.
O conversatório, organizado pela Maestría en Tecnología, Políticas y Culturas (FCS-UNC), será realizado na terça-feira, 18 de outubro de 2016, no âmbito do VII Colóquio Internacional de Filosofia da Técnica: Tecnologia, Políticas e Culturas. A participação será gratuita para todos os interessados.
Programa completo: https://www.dropbox.com/s/tvnkv4d1ycqzeai/Programa%20VII%20CFdT.pdf?dl=0